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Depois da demissão de 1200 funcionários da faculdade Estácio, professor dispara: “Objetivo é reduzir direitos trabalhistas”

Instituição de ensino aproveitou a reforma trabalhista de Temer para demitir mais de 1200 profissionais já que agora, com a nova legislação, poderá preencher as vagas com contratos mais “flexíveis” e com menos direitos trabalhistas. Sindicato argumenta que ação é ilegal e estudantes denunciam perseguição



A instituição de ensino superior Estácio de Sá demitiu 1.200 professores nesta semana. A ação surpreendeu alunos, docentes e gerou ampla repercussão pelo fato de a medida ter sido tomada logo após a aprovação da reforma trabalhista.

Flávio* foi um dos professores demitidos. Ele atuava na unidade de Goiânia da Estácio e lecionava na instituição há oito anos e foi dispensado de uma hora para a outra. “Acabei de receber essa notícia. Inclusive já tinha pessoas sabendo antes que eu soubesse. Foi bem seco e simplista, nós só fomos informados do desligamento, não havia uma causa específica, foi só em uma dinâmica de contenção e redução do custo docente”, diz.

Para ele, o real motivo do desligamento envolve a precarização do trabalho de professores universitários: “Todos sabem que o real e único motivo foi essa questão de custo, de direitos trabalhistas, que serão todos, por assim dizer, em um futuro muito próximo, negligenciados, como já está sendo”.

A turma de enfermagem da Estácio de Goiânia chegou a criar um grupo no Whatsapp para organizar ações contra a demissão de boa parte do corpo docente do curso. Os alunos do campus de Curitiba também se mobilizaram e criaram um abaixo assinado online em repúdio às demissões. A petição já conta com mais de mil assinaturas.

Os sindicatos, por sua vez, estão se mobilizando para entrar na Justiça contra a instituição. De acordo com a Presidenta do Sinpro, o Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais, Valéria Morato, a ação constitui uma demissão em massa e, por isso, é ilegal.

“Aqui em Belo Horizonte, são 245 professores [que trabalham na Estácio]. Até agora, a gente tem notícias de 54 demissões, o que caracteriza demissão em massa, e nós vamos questionar isso na Justiça. Para demitir em massa, precisava fazer uma negociação antes com o sindicato para ver outras alternativas”, explica.

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