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O cientista político Luis Felipe Miguel denuncia: MEC endossa a promoção da violência de gênero


O MEC apagou as menções ao combate à discriminação de gênero da nova versão da Base Nacional Comum Curricular, encaminhada na semana passada ao Conselho Nacional de Educação. Como se não bastasse, incluiu - como parte do "ensino religioso" - a discussão de "gênero e sexualidade, segundo diferentes tradições religiosas". À luz da recente decisão que chancela o ensino confessional mesmo nas escolas públicas e da mobilização dos grupos cristãos mais reacionários para dominar a educação, isso significa que o MEC não está só abolindo o combate: está endossando a promoção da violência de gênero nos estabelecimentos de ensino.


Não se trata de um governo impopular se rendendo ao clamor da opinião pública. Uma pesquisa recente mostrou que a esmagadora maioria dos brasileiros apoia a discussão sobre gênero nas escolas (http://www.huffpostbrasil.com/…/84-dos-brasileiros-apoiam-…/). Um percentual tão elevado, acima dos 80%, só é obtido com a participação de muitos católicos e evangélicos.
O que ocorre é a chantagem por líderes religioso-políticos que vocalizam, de forma muito barulhenta, uma pauta radicalizada, como forma de manter influência e obter vantagens. Uma quadrilha que não tem sequer a desculpa de acreditar sinceramente nas imbecilidades que propaga. É só um cálculo político muito perverso. Enquanto isso, o Brasil continua liderando os rankings mundiais de violência contra mulheres e contra gays, lésbicas e travestis.

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