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Artigo: A Banda Podre das Eleições

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A Justiça eleitoral sempre vendeu as eleições como a “festa da democracia.” Isto poderia se dizer ainda na década de 80. A partir dos anos 90, quando o congresso começou as Reformas Eleitorais  e não uma Reforma Política, o eleitor aos poucos foi retirado desta festa e ficou tão somente como pagador das eleições, que  a cada pleito tem se tornado mais caras tanto para candidatos e principalmente para o cidadão.

Anualmente, cada contribuinte – e não mais apenas eleitor -  paga  R$ 0,12 (doze centavos) para a o chamado  fundo partidário que chegou a casa de 1 bilhão e 200 mil reais. Este valor é repassado aos partidos, proporcionalmente ao tamanho, para pagar despesas de existência.
O cidadão paga ainda em  Cada eleição, de acordo com dados do TSE,  R$ 480 milhões de reais em media; e nas contas do TSE   cada eleitor custa quase R$ 6,00.

Mas estes valores nem de longe representam o que os candidatos gastam no período eleitoral. Uma campanha para Presidente da Republica não fica por menos de R$ 250 milhões. Na ultima campanha – através de delação premiada – só o marqueteiro da chapa Dilma/Temer levou R$ 30 milhões. Obrigatoriamente os candidatos compram os chamados partidos de alugueis que vendem  espaço na Televisão, ajudam nas campanhas dos governadores, senadores e até mesmo dos deputados federais além de um agrado ao prefeito.

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Desde que comecei a cobrir a política fui juntando informações fornecidas por minhas fontes, que nunca revelo. Mas revelarei  alguns fatos sobre o submundo das campanhas que são irrigadas por milhões de reais através do caixa 2 e também a compra de candidatos e eleitos.

Henrique Meirelles, hoje ministro da fazenda, foi eleito deputado federal em 2002 pelo PSDB. De acordo com minhas fontes, Meirelles chegou para a reunião do partido para saber o valor estabelecido pelo TSE para a campanha de Deputado Federal. Quando ouviu que era R$ 3.000 milhões, logo disse “Já gastei R$ 21 milhões, e agora?” No mesmo ano que disputou uma cadeira na câmara federal, Meirelles foi processado por dois ex-seguranças; um pediu R$ 150 mil e o outro R$ 200 mil. Ganharam as ações porque o processo correu a revelia, ou seja, Meirelles não mandou um advogado ou representante na audiência.

Em meus programas daquele pleito ofereci R$ 10.000,00 para alguém que me trouxesse uma foto de Henrique Meirelles pedindo voto ou visitando um pobre. Oferta  que ainda está viva.   

Outro exemplo foi a pré candidatura de Junior do Friboi. Segundo minhas fontes, Friboi pagava “Mensalinhos” para vereadores, inclusive de Aparecida de Goiânia e Goiânia para ter o apoio dos parlamentares. Friboi nunca negou o fato e dizia “o dinheiro é meu, faço com ele o que quiser.”  


Neste momento que estão  sendo mostrados os absurdos das eleições, como R$ 51 milhões deixados em um apartamento. Deputado correndo com mala com R$ 500 mil entre outras coisas, saiba que a corrupção começa bem antes do que você possa imaginar.

Muitos vereadores investem pesado na eleição de conselheiros tutelares. Além de material de divulgação e doações em dinheiro, no dia da eleição, vereadores colocam carros para buscar moradores para votarem – uma vez que é facultativo o voto – oferecem refeições entre outras coisas. A eleição de um conselheiro já garante ao vereador votos importantes para Câmara Municipal.


O “Feirão de compra e venda” funciona mais ou menos assim, segundo minhas fontes. O candidato a deputado federal, se quiser o apoio de um deputado estadual bem votado, tem que desembolsar de 1 a 1 milhão e meio para  fazer dobradinha. Candidatos a deputados estaduais pagam algo em torno de R$ 500 mil  para um prefeito bem avaliado. Um candidato ao governo também paga algo próximo a R$ 100 mil para cada prefeito. Valor que pode triplicar de acordo com o município.

Além de prefeitos, candidatos ao governo também tem que “molhar a mão de presidentes de partidos de aluguel” além de candidatos a deputado com potencial.

Senadores também são obrigados a pagar pelo apoio da rede de corrupção instalada no sistema eleitoral.
Assim, de acordo com minhas fontes, apresento valores aproximados para as eleições:

- Presidente R$ 600 milhões de reais.
- Senadores R$ 40 milhões de reais.
- Deputados Federais 25 milhões de reais
- Deputados Estaduais 8 milhões de reais.
- Prefeito 15 milhões de reais
- Vereador 2 milhões de reais.

A saber: os valores acima são relativos e varia  de estado  conforme o numero de habitantes. Goiás, por exemplo, é o estado onde se menos gasta para se eleger.

Valores muito distantes do que determina o TSE, “por exemplo: de acordo com Tribunal Superior Eleitoral para os municípios de até 10 mil eleitores e com valores fixos de gastos de R$ 100 mil para prefeito e R$ 10 mil para vereador.”  “Ninguém se elege com este valor”, revela uma fonte.

Assim começam os esquemas de corrupção, onde eleitos que gastaram o que não tinham, são obrigados a fazer negociatas para saldar dividas de campanha. Por isto não me espanta o Ministério Publico e Policia Federal descobrirem repasses milionários aos políticos.

E o eleitor que seria o grande representante das eleições, com as reformas eleitorais, passou a ser apenas pagador de verbas licitas e ilícitas que regam as campanhas da corrupção.

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André Marques é Diretor Geral do Sistema Argumento de Comunicação 

Um comentário:

  1. Parabéns amigo. Vc disse a verdade, muito triste e lamentável a situação nossa de eleitores! É preciso fazer uma reforma profunda da política e das eleições! Fica com Deus!

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