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Artigo: Hora de cacifar


Desde a eleição de 1989, quando 22 candidatos se lançaram, nunca tivemos tantos candidatos a presidência da republica. Já são 16 e pode aumentar caso Temer queira disputar a reeleição.

Mas na verdade, a grande maioria são apenas “placas de vendem-se” que os partidos penduram nos pescoços de alguns utópicos ou espertalhões. Utópicos porque acreditam mesmo que o partido vai bancar a candidatura, espertalhões pois, além do partido levar uma bolada, o pré-candidato também faz o mesmo.

É utopia pensar que Henrique Meirelles será candidato a presidência pelo PSD, partido que já negociou com o PSDB, pois Marcio França, vice de Alckimim, e que assumiu com desincompatibilização do tucano para disputar a Presidência, é candidato a reeleição e os partidos já fecharam acordo.

Até o próprio Bolsonaro, hoje no PSL, caso não consiga aglutinar partidos de alugueis, terá míseros 15 segundos de tempo no Rádio e na Televisão.

Assim como a maioria dos mais de 30 partidos existentes, poucos chegam a casa de 30 segundos e para ter vantagem nas eleições, além de um bom candidato é fundamental o Maximo de tempo no horário eleitoral. Desta forma, os partidos nanicos se apresentam como grandes ao anunciar candidaturas próprias, isto para aumentarem os valores das “negociatas”;



A promiscuidade eleitoral começa no próximo dia 08 de março, quando se abre a janela para políticos mudarem de partidos, sem o risco de perderem o cargo e sem a necessidade de motivos para a debandada. Um exemplo é o PMB – Partido da Mulher Brasileira – na ultima janela aberta, o partido que tinha 33 deputados, ficou apenas com um filiado.

Neste mercado o passe ou o valor de cada parlamentar custa em torno de 1 a 3 milhões dependendo da quantidade de votos recebidos,” disse-me um deputado sob a condição de não revelar o nome dele.

“Assim, como no futebol, deputados e senadores agora têm passe e podem ser vendidos e comprados. A Clausula de barreira, que promete exterminar legendas sem representatividade, é um dos motivos para o troca-troca.” Ouvi de minha fonte.

Hoje 35 partidos estão registrados no TSE, deste total 28 tem representantes no congresso nacional o que inflaciona e dificulta alianças. Uma candidatura para vingar deve ter ao menos dez partidos coligados, algo muito caro se o cabeça de chapa não tiver chances reais de vencer. Os três maiores partidos PSDB, MDB e PT saem na frente pelo tamanho da bancada.

De acordo com a regra aprovada em 2016 pelo TSE, os juízes eleitorais distribuirão os horários reservados à propaganda em rede e à propaganda em inserções entre os partidos e coligações que tenham candidato, observados os seguintes critérios: 90% distribuídos proporcionalmente ao número de representantes na Câmara dos Deputados, considerados, no caso de coligação para eleições majoritárias, o resultado da soma do número de representantes dos seis maiores partidos que a integrem e, nos casos de coligações para eleições proporcionais, o resultado da soma do número de representantes de todos os partidos que a integrem; e 10% distribuídos igualitariamente.

Serão desconsideradas as mudanças de filiação partidária, com exceção da hipótese de criação de nova legenda. Nesta situação, “prevalecerá a representatividade política conferida aos parlamentares que migraram diretamente dos partidos pelos quais foram eleitos para o novo partido político, no momento de sua criação”. Isto explica o numero excessivo de partidos criados e também a quantidade de políticos que para estes partidos mudaram.




Todo este jogo tem objetivo único de arrecadar, seja na comercialização de mandatos e também no fundo partidário que já ultrapassou a casa de 1 bilhão de reais. Dinheiro oriundo do imposto que cada cidadão paga anualmente, algo em torno de R$ 0,12 centavos.

Diante deste quadro se justifica a corrida por alianças, principalmente com o MDB, a noiva mais cobiçada. No cenário nacional comenta-se que o PT poderia voltar a aliança com o MDB, isto se Lula conseguir a candidatura.

Já em Goiás a situação se repete, mas com outro noivo: o DEM de Ronaldo Caiado, que, a cada dia, parece mais próximo do casamento com MDB. Tanto assim, que o Ruralista não concede entrevistas até o dia 15 de março, prazo final para selar o matrimonio.

Já o PT ainda flerta com o Palácio das Esmeraldas, segundo informações, e não quer ser coadjuvante apenas, quer mais.

Assim, chega a hora de colocar a mão no bolso e tentar comprar o maior numero possível de partidos de alugueis e seus representantes que se cacifam e ficam cada dia mais caros.




Veja qual o tempo de partido nas eleições de 2016 :

PT – 53,2 segundos

PMDB – 52,3 segundos

PSDB – 44,2 segundos

PP – 31,1 segundos

PSD – 29,4 segundos

PSB – 27,8 segundos

PR – 27,8 segundos

PTB – 19,6 segundos

PRB – 17,1 segundos

DEM – 17,1 segundos

PMB – 15,5 segundos*

PDT – 14,7 segundos

SDD – 11,4 segundos

PSC – 10,6 segundos

PPS – 7,3 segundos

PROS – 6,5 segundos

PCdoB – 6,5 segundos

PV – 4 segundos

PSOL – 4 segundos

Rede – 4 segundos

PHS – 4 segundos

PTN – 3,2 segundos

PEN – 1,6 segundos

PSDC – 1,6 segundos

PMN – 0,8 segundos

PTC – 0,8 segundos

PTdoB – 0,8 segundos

PSL – 0,8 segundos

PRTB – 0,8 segundos

**O PSTU, PCO, PCB, PPL, PRP e NOVO não possuíram tempo de televisão e rádio na distribuição de acordo com a proporcionalidade da representação na Câmara Federal. Os seis partidos entraram apenas na distribuição igualitária dos 10% do tempo de tv e rádio.

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