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Cunha reclama de ser levado na traseira de camburão em Curitiba.























Preso no Complexo Médico Penal desde outubro de 2016, o ex-deputado Eduardo Cunha reclamou de ser levado na parte de trás do camburão para as audiências na Justiça Federal de Curitiba. A queixa é que o banco de transportes de presos é frágil, pequeno, instável e balança muito. Além disso, ele estaria com problema de labirintite e o cinto de segurança, segundo sua defesa, não cumpriria sua função de proteger o preso e estaria em desacordo com as normas de trânsito.

A reclamação foi feita pela defesa de Cunha diretamente ao juiz Sergio Moro, na audiência da semana passada. Os advogados pediram que ele não fosse mais colocado na traseira do camburão, mas o pedido não foi atendido.

Em despacho na última sexta-feira, Moro afirmou que não há o que ser modificado. Disse ter sido informado pela escolta que “o veículo conta com assento acolchoado na traseira para transporte do preso e com cinto de segurança” e que se Cunha fosse levado no assento normal da viatura, haveria risco, pois estaria ao lado de agentes armados.

“Considerando as explicações apresentadas, não me parece que o transporte na traseira, nas condições apontadas, traga maiores desconfortos ao preso”, escreveu Moro.

A decisão de Moro contrasta com a do juiz Francisco Eduardo Guimarães Farias, titular da 14ª Vara Federal no Rio Grande do Norte, onde Cunha responde ao lado do ex-deputado Henrique Alves pelo superfaturamento de R$ 77 milhões nas obras da Arena das Dunas, em Natal, na operação Manus, desdobramento da Lava-Jato.


Depois de um discurso no qual falou sobre a condução desumana de transporte de todos os brasileiros presos e indagou se os réus seriam “melhores que os outros brasileiros” para não querer andar em camburões, Farias surpreendeu ao decidir que Cunha, nas audiências no Rio Grande do Norte, seja transportado no banco normal das viaturas, não na parte de trás do camburão. Disse que ele deveria ter a integridade e humanidade respeitadas, “apesar de não terem (ele e Alves) respeitado a integridade e a humanidade dos brasileiros”.

Cunha já foi condenado a 15 anos de prisão pelo juiz Sergio Moro e responde a uma segunda ação penal em Curitiba, por propinas cobradas para que a Petrobras contratasse o estaleiro sul-coreano Samsung para a construção de dois navios-sonda para a Petrobras. O lobista Fernando Soares teria pagado US$ 5 milhões a Cunha para que ele pressionasse o representante do estaleiro, Julio Camargo, a pagar valores de propina que não estavam sendo honrados. Na tarefa, Cunha usou a ex-deputada Solange Almeida. Soares acertou que Cunha ficaria com 50% dos valores que conseguissem receber.

Para reduzir o tempo de pena, Cunha faz curso de espanhol à distância na cadeia e trabalha na área de manutenção e na entrega de quentinhas no presídio, enquanto se divide entre a leitura dos processos a que responde e de passagens da Bíblia.

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