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Prefeitura anuncia o fechamento de 108 AMAs - Assistências Médicas Ambulatoriais em São Paulo


A Prefeitura de São Paulo anunciou que irá reestruturar o sistema de saúde na cidade. A principal mudança será o fechamento de 108 Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs), que serão absorvidas pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A diferença entre os dois tipos de estabelecimentos é que as AMAs são unidades de pronto atendimento para casos de baixa complexidade, enquanto as UBSs são centros médicos com consultas agendadas.

De acordo com o secretário de Saúde da atual gestão, Wilson Pollara, 108 AMAs se transformarão em 63 UBSs, 19 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e 26 em ambulatórios de especialidades. “O atendimento será exatamente igual, mas a pessoa não será atendida por um plantonista que irá vê-la de vez em quando e sim pelo médico de família dela”, diz. “Se a pessoa precisar de um atendimento de emergência ela poderá ir na AMA de 24 horas que se transformará em uma UPA.”

O anúncio vem gerando manifestação de parte da população que teme a superlotação das UBSs e dos prontos socorros de hospitais. “A melhora do sistema de saúde precisa ser discutida. Mas a mudança não pode ser realizada da noite para o dia porque já se gerou uma demanda pelo serviço existente”, afirma Marília Louvison, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), especialista em regulação do Sistema Único de Saúde.

Para Marília, as Unidades Básicas de Saúde foram criadas, inicialmente, para realizar atendimentos emergenciais e também agendados. Com o aumento da demanda, as gestões optaram por transferir o pronto atendimento às AMAs. “Para que tudo seja incorporado pelas UBSs, é preciso que seja realizada uma análise de demanda”, diz ela. “Também não se pode esperar que profissionais habilitados para atender em AMAs sejam simplesmente aproveitados em unidades básicas.”

“A população se queixava que as UBSs só atendiam com hora marcada e não tinham procedimentos simples”, diz Pollara. Para atender esse tipo de necessidade, foram criadas as AMAs. Com a atual mudança, diz o secretário, o médico da família realizará esse tipo de consulta.

Incorporar demandas instantâneas às Unidades Básicas de Saúde, sem que elas estejam preparadas para dar respostas emergenciais à população, explica Marília, pode criar um risco de desassistência. “Seria mais prudente fazer um experimento local, em alguns
territórios de forma piloto.”

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