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Secretária de saúde reconhece validade de documento que revela UTI’s vagas.



Após ser convocada pela sexta vez para depor junto à Comissão Especial de Inquérito (Cei) da Saúde da Câmara Municipal, a secretária de saúdeFátima Mrué foi ouvida nesta segunda-feira (26) e reconheceu a validade do documento enviado pela própria pasta que comprova desocupação de leitos de Unidades de tratamento intensivo (UTI), quando havia pacientes na fila de espera. Como atestado pela comissão, a taxa de vacância chegou a 67,7% em uma das unidades credenciadas ao SUS.

Além de Fátima, a comissão ouviu também a superintendente de Regulação da Secretaria Municipal de Goiânia (SMS), Andréa Barbosa, que assinou o documento enviado para a Câmara. Em outra ocasião, a secretária havia afirmado não reconhecer a validade do levantamento. O relator da Cei, vereaor Elias Vaz (PSB), afirmou que nesta última reunião os números apresentados pela administradora foram coniventes com os organizados e tabulados pelos parlamentares.

Fátima repassou uma tabela aos vereadores na qual o número de diárias disponíveis em 2017 foi de 170.360, das quais 97.820 foram utilizadas pelos pacientes regulados do SUS, gerando uma taxa de ocupação de 57% dos leitos. Ou seja, 43% dos leitos que as UTI’s disponibilizaram não foram ocupadas pelos pacientes do SUS. No relatório enviado à CEI a taxa era de 41% de desocupação.

Durante reunião da Cei nesta sexta-feira (23), o superintendente de Rede e Atenção à Saúde da SMS, Sílvio José de Queiróz, já havia confirmado que há desocupação de leitos mesmo nos casos em que há pacientes que necessitam. Segundo Elias Vaz, Fátima não soube explicar o motivo de tantas UTI’s vagas.

No entanto, segundo o vereador, as investigações da Cei apontam para uma seleção de pacientes. “Dependendo do custo dos pacientes, havia facilidade de ter vaga. Houve inclusive um paciente que estava na UTI sem necessidade, apenas para manter a vaga ocupada, uma vez que era barata para a secretaria”, argumentou Elias.
Óbitos

No último sábado (24), uma paciente da Vila São Cottolengo morreu enquanto aguardava vaga de UTI há dois dias. Segundo a assessoria da instituição, a mulher foi submetida a exames para confirmação da causa da morte e verificação de caso de H1N1. Ela estava em uma ala isolada, entubada, junto com outros dois pacientes já confirmados com a Influenza.

Conforme denúncias apresentadas pela Tv Anhanguera, uma outra mulher, de 52 anos teve o quadro de pneumonia agravado uma vez que não conseguiu uma vaga de UTI. A dona de casa Maria Eunice ficou duas semanas em uma maca na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Buriti Sereno, sem o acompanhamento médico necessário e esperava uma transferência para a capital desde a última sexta-feira (23). Ela morreu no domingo (25).

De acordo com o site da SMS, há um total de 40 pacientes aguardando por uma vaga de UTI no município. O acesso ao portal foi feito pouco antes da publicação desta matéria. Após a última reunião, a Cei propôs aceleração da questão dos leitos. “Nós vamos formalizar junto ao Ministério Público, a instalação de um grupo com representantes dos órgãos competentes para regularizar com urgência esse problema das UTI’s”, explica Elias Vaz.

Por nota, a SMS informou que “todas as solicitações de vaga em UTI são acompanhadas e monitoradas pela equipe técnica da Central de Regulação”. Desse modo, conforme a pasta, a medida que surgisse demanda os pacientes seriam encaminhados para hospitais com vagas.

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