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Mesmo preso, PT mantém a candidatura de Lula a Presidência.


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva continuará como candidato do PT para a Presidência do Brasil, mesmo atrás das grades. "Não será o PT que vai retirar Lula das eleições", disse à BBC Brasil o vice-presidente nacional da sigla, Alexandre Padilha, em Boston, nos Estados Unidos.
"A lei estabelece que em agosto são registradas as candidaturas. O nome de Lula estará lá. Vamos seguir a lei e caberá ao TSE (Tribunal Superior Eleitora) avaliar esse registro. Lula continuará a ser nosso candidato, preso ou não".

Padilha veio aos Estados Unidos para participar da Brazil Conference, rodada de palestras organizada por alunos de Harvard e MIT.

Colega de Padilha, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, cotado como substituto de Lula na campanha, cancelou a viagem aos EUA após o pedido de prisão do ex-presidente petista. Haddad esteve com o ex-presidente no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Questionado pela reportagem sobre a baixa probabilidade de autorização da candidatura, Padilha se recusou a traçar plano B, mas recorreu a uma metáfora futebolística para afirmar que o partido não deve abrir mão de uma candidatura própria para apoiar pré-candidatos de esquerda como Guilherme Boulos (PSOL-SP) ou Manuela D'avila (PCdoB-RS)

"Querem que o PT tire o Pelé no início do campeonato. Nós queremos ter o Pelé até o final. Se cometerem uma injustiça, aí vamos decidir quem vai substituí-lo", afirmou. "O que posso dizer é que, mesmo sem Lula, o 13 continuará em campo".


"Hoje o PT tem 20% da preferência partidária. Depois, vêm PMDB e PSDB com 4% ou 5%. Temos o candidato favorito em todos os cenários. Lula está na frente, com cerca de 30%. Não vamos abrir mão disso".

Supremo Tribunal Federal

O vice-presidente do PT diz que a Suprema Corte "rasgou a Constituição brasileira" ao permitir a prisão do ex-presidente sem que se esgotassem os recursos.

Padilha ainda classificou o voto a favor de Lula do ministro Gilmar Mendes, frequentemente associado por petistas ao PSDB ou ao PMDB, como um "voto de coerência". "O maior adversário de Lula dentro do STF, Gilmar, votou a favor do habeas corpus. Isso só reforça os argumentos da defesa", afirmou.

Sobre o voto de Luís Roberto Barroso, que de outro lado é tido como um juiz progressista, defensor de ideas que agradam à esquerda, Padilha afirmou que foi "incorreção absurda". "Ele colocou Lula na mesma posição de estupradores, criminosos, presos em flagrante ou que representam risco à sociedade", afirmou. "Ele deveria se candidatar ao Congresso se quer mudar a Constituição."

Fuga

Para Padilha, Lula não decidiu fugir, ou se abrigar em na embaixada de algum país que defenda seu legado político, porque "quer representar todos os presos injustamente no Brasil".

"Ele não quis se utilizar da facilidade que teria, com seu reconhecimento internacional, para se diferenciar de outros presos injustamente", afirmou. "Ele quer se apresentar aqui e vamos defendê-lo até o fim".

Segundo o vice-presidente do PT, Lula continuará participando das articulações políticas do partido, mesmo na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. "Você pode prender uma pessoa, mas não prende ideias. Ele vai continuar muito ativo, pela figura que é e pelas ideias que defende. Não há plano B. Lula é o plano A e vai ser presidente do Brasil", afirmou.

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