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Em entrevista, Temer admite hipótese de apoiar Alckmin ou outro candidato de centro.

                           Foto: Alan Santos/PR

O presidente da República, Michel Temer (PMDB), reafirmou que pode abrir mão de sua candidatura à reeleição para apoiar um nome de “centro”. Temer indicou os nomes de possíveis aliados na campanha eleitoral em entrevista ao programa “Poder em foco”, que vai ao ar na noite deste domingo, no SBT.

Parte do conteúdo da entrevista foi publicada pelo site “Poder 360”, veículo convidado para participar da bancada do programa. Segundo Temer, “se necessário”, ele abriria mão da candidatura “com a maior tranquilidade”.

Temer citou nominalmente Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (PMDB), Flávio Rocha (PRB), Afif Domingos (PSD) e Paulo Rabello de Castro (PSC) como possíveis companheiros de chapa. Quando perguntado se havia esquecido Rodrigo Maia (DEM), Temer respondeu que também considerava o presidente da Câmara.

— Se nós quisermos ter o centro, não podemos ter 7 ou 8 candidatos. A classe política precisa se mobilizar para que escolha um nome de centro — afirmou o presidente.

Na sexta-feira, em entrevista à EBC, Temer fez declaração semelhante, mas não havia citado o nome dos possíveis aliados. No fim da semana passada, Alckmin telefonou ao presidente, segundo interlocutores do Palácio do Planalto, e ouviu de Temer que ele seria recebido para uma conversa sobre eventual aliança para a disputa presidencial. A ligação serviu para uma abertura dos diálogos neste sentido.

Temer também foi questionado sobre o inquérito dos portos, do qual é alvo. Mas não se sentiu confortável em falar sobre o assunto. Afirmou que a reforma da casa de uma de suas filhas, Maristela Temer, foi realizada com “absoluta licitude”.

— Eu lamento que estejamos conversando sobre isso ao invés de conversarmos sobre o Brasil.

Na última quarta-feira, Polícia Federal (PF) colheu depoimentos no inquérito que trata do caso e investiga se Temer recebeu propina de empresas do setor portuário. O foco das oitivas foi aprofundar a apuração sobre a reforma, que teria sido bancada pelo coronel João Baptista Lima, amigo de Temer e acusado de receber dinheiro sujo em nome dele.

A PF ouviu fornecedores de serviços contratados para a obra.

— Foi uma reforma regularmente paga, regularmente esclarecida. Eu não tenho os dados do depoimento que ela prestou ontem (quinta-feira) ao delegado da Polícia Federal, mas soube que foi tudo pelas melhores — disse Temer.

Sobre a possível canidatura de Joaquim Barbosa à Presidência pelo PSB, Temer disse que é um nome “bem recebido”, mas não acredita que possa ter sucesso na campanha apenas “por ser negro” ou “porque foi pobre”.
— Se me permite, eu não concordo com o fato de ele ser presidente porque é negro. Nem ser presidente porque foi pobre. Pobre eu também fui. Eu tive uma infância… parece que não, mas eu para ir à escola andava 6 quilômetros, para ir e para voltar. O Lula foi pobre. Não é esta razão que vai fazer com que fulano seja ou não seja presidente.

Sobre a recuperação da economia, Temer afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2018 dificilmente chegará a 3% — previsão inicial da equipe econômica.

— Agora, a previsão é de 2,5% a 3%. Como agora se fala em 2,75%.

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