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Petroleiros condenam prisão política de Lula e aprovam indicativo de greve


Com mais de 90% de aprovação nas assembleias, os petroleiros referendaram o indicativo da FUP de greve nacional por tempo indeterminado, com data a ser definida pelas direções sindicais. O objetivo é barrar o maior desmonte da história da Petrobrás. A greve é um importante instrumento de pressão e resistência, mas para retomar os investimentos da estatal e reverter a privataria que destroçou a maior empresa é preciso estancar o golpe e mudar os rumos políticos do País. Por isso, os petroleiros também aprovaram nas assembleias um manifesto público em defesa da soberania, pela democracia e contra a prisão política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Assim como Lula e o povo brasileiro, a Petrobrás e suas subsidiárias sofrem o apetite desenfreado daqueles que não conhecem uma vida sem privilégios. Antes o pilar de uma economia de pleno emprego, de geração de tecnologia, de crescimento do óleo e gás, da indústria naval, da exploração e refino, a Petrobrás agora se vê reduzida a um grande escritório de exportação de óleo cru, e de geração de lucro, tecnologia e emprego para outros países. Com a destruição da indústria do petróleo, nosso PIB sobrevive do agronegócio, neto abastado das capitanias hereditárias", destaca a FUP no manifesto, cuja íntegra segue abaixo:

MANIFESTO EM DEFESA DA SOBERANIA, PELA DEMOCRACIA E CONTRA A PRISÃO POLITICA DE LULA.

A luta do proletariado contra a burguesia começa da sua própria existência. E quando a existência de um operário toma a dimensão de um país inteiro, claro, toda população fica imersa nessa luta.

Nessa disputa histórica, a elite brasileira escravocrata e entreguista cansou de brincar de democracia. Quando percebeu que no verdadeiro jogo democrático a desigualdade e a exploração diminuem, a burguesia resolveu que tentaria se recrear sozinha, como aquele menino mimado que não conhece o equilíbrio entre oportunidade e capacidade e recolhe o objeto do jogo no meio da partida, pois acredita ter o mérito de ser o dono da bola, costurada, justamente, pela classe que ele insiste em explorar.

No jogo de um time só, é impossível ter mais de um vencedor. Por isso o Brasil não é mais o mesmo: o pleno emprego deu lugar à escravidão, com o fim da CLT; o país que foi exemplo de combate à fome e à miséria se foi. A terra das oportunidades, do SUS, das novas universidades, do Luz Para Todos, do Pré- sal, e do sorriso de quem teve a oportunidade de sonhar com uma vida digna, se tornou a terra da desesperança, de um povo que não confia em mais ninguém, desacreditado de si mesmo.

O Brasil mudou, sim, mas não assumiu uma face desconhecida. Muito pelo contrário! Nossa elite de rapina rasgou 54 milhões de votos para nos atirar no passado, e perseguir a maior liderança popular desse país com métodos bastante conhecidos: a ideologia fascista, seu ódio pelas conquistas do povo mais pobre e seu desprezo pela Ética democrática.

Cometeram a proeza de nos fazer retroceder 518 anos, a um projeto colonial que arrasou nossas riquezas, do Pau Brasil ao Café, agora repaginado para roubar nosso Pré-Sal.

Assim como Lula e o povo brasileiro, a Petrobrás e suas subsidiárias sofrem o apetite desenfreado daqueles que não conhecem uma vida sem privilégios. Antes o pilar de uma economia de pleno emprego, de geração de tecnologia, de crescimento do óleo e gás, da indústria naval, da exploração e refino, a Petrobrás agora se vê reduzida a um grande escritório de exportação de óleo cru, e de geração de lucro, tecnologia e emprego para outros países. Com a destruição da indústria do petróleo, nosso PIB sobrevive do agronegócio, neto abastado das capitanias hereditárias.

Essa mesma casta burocrática que aplicou o Golpe de Estado em 2016, e ficou adormecida durante dois anos de sexo explícito entre os poderes políticos - bem simbolizado pela pornografia da mala dos 500 mil reais - agora comemora a prisão daquele que, indubitavelmente, fez melhor governo desse país, o operário que foi penalizado apenas por existir.

A defesa da ideia Lula, assim como foi a resistência popular do mandato da presidenta Dilma, não é simplesmente a pauta de uma pessoa ou de um partido, mas sim a defesa de um projeto revolucionário contra os verdadeiros criminosos do país: aqueles que por séculos exploraram os trabalhadores e trabalhadoras brasileiras para viver uma vida de privilégios.

O país mudou, mas não os nossos sonhos. O Brasil já não é mais o mesmo, mas nossa existência continua sólida, como a chama da nossa luta, que aumentou - e aumentará - na medida em que crescem os ataques ao povo brasileiro e à soberania nacional.

Conclamamos a toda classe trabalhadora para se juntar à categoria petroleira e ampliar a luta em prol da Democracia, nesse momento representada pela liberdade do presidente Lula.

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