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Artigo: Governo adota plano falido para baixar preço do diesel





Em 28 de fevereiro de 1986, uma sexta-feira, o governo de José Sarney (PMDB) decretou feriado bancário e anunciou o Plano Cruzado, uma espécie de "irmão mais velho" mal-sucedido do Plano Real.

Entre outras coisas, o Plano previa que  os salários subiam automaticamente para acompanhar a inflação. Os preços eram fixos e os supermercados que ousassem fazer reajustes eram denunciados pelo povo e fechados.

Criaram a "tabela da Sunab", publicada nos jornais e fixada nos supermercados, mostrando quanto cada coisa deveria custar.


No começo, deu certo. O poder de compra e as condições de vida dos brasileiros melhoraram. O presidente virou herói da Nova República. Mas não durou muito.

Todo mundo queria comprar, Por outro lado, os produtores não queriam produzir mais com aqueles preços Resultado: prateleiras vazias

Houve filas e até racionamento de produtos. O governo chegou a apelar para a "desapropriação" de bois no pasto para tentar atender o consumidor

Depois de nove meses, nascia um novo plano: o Cruzado 2. Os preços foram descongelados e a inflação voltou a todo vapor chegando a quase mil por cento no ano. Também não deu certo. Então, vieram novos planos econômicos, que também fracassaram.

A inflação, como hoje sabemos, só conseguiu ser controlada com o Plano Real, lançado em 1994. E foi assim que os anos 1980 ficaram conhecidos como a "década perdida”



Com a paralisação, e não greve, dos caminhoneiros, o  Governo, sem respaldo popular e muito pressionado para colocar fim ao manifesto, determinou, através de projeto de lei,  que todos os postos do País terão que baixar R$ 0, 46 no preço do litro do óleo diesel. Não cobrar por eixo suspenso nos pedágios – ou seja, caminhões que não estejam descarregados e mais um monte de outras concessões.

As punições possíveis àqueles que não repassarem o desconto serão: multas de até R$ 9,4 milhões, suspensão temporária das atividades, interdição dos estabelecimentos e até mesmo cassação da licença.
A fiscalização será realizada pelos Procons estaduais. Caso um consumidor, ao abastecer com diesel, verificar a não aplicação do desconto, poderá fazer a denúncia ao Procon.

Mas como em nenhum governo existe plano perfeito, a confusão já se espalhou por todos os lados da economia do País, começando pela queda das ações da Petrobra na Bolsa de valores, isto porque a Estatal terá que assumir os prejuízos causados pela decisão. Estados já disseram que não vão abaixar o ICMS. 

A compensação da redução do preço do  diesel, conforme a fazenda nacional,  passará  pela diminuição de investimentos em educação, saúde e até mesmo nos projetos sociais.  

Fala-se ainda na criação de novos impostos ou aumentar os já existentes, o que em ano eleitoral é uma tragédia para qualquer candidato.


Outra trapalhada foi a aplicação do desconto somente sobre o diesel, quando há a mistura de  Biodiesel em  cada litro do diesel. Sobre o biodiesel não houve redução no preço.
A associação nacional dos donos de postos também  já se manifestou contra o tabelamento.


Mas a maior dificuldade do mirabolante plano será na pratica. O governo não pode congelar ou tabelar preços. Isto já foi tentado uma vez, como aqui já dito, e o resultado foi catastrófico.  Nos anos 80 eram os fiscais do Sarney, agora serão as forças militares e os fiscais do Temer.  

 A polemica decisão de um  governo fraco e sem sustentação popular e política poderá fazer com que o combustível falte nos postos e até mesmo a pressão que já começou para o barateamento também do preço do álcool e também da gasolina.

Ainda é cedo para medir os estragos que as medidas causarão a economia brasileira e também o comportamento do setor de combustíveis. Poderemos até ter senão uma década, mas talvez alguns meses ou anos perdidos.  





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