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FGV: Brasil só sai da depressão pós-golpe em 2020


Estudo inédito da economista Silvia Matos, da Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que levaremos 16 trimestres - quatro anos - para voltar ao mesmo nível de Produto Interno Bruto (PIB) de 2014. Será o maior período de recuperação de todas as recessões já vividas pelo país, desde os anos 1980. Somando os cinco trimestres desde a recuperação inócua, no início de 2017, o Brasil ainda está 5,5% abaixo do PIB de 2014, sendo que, segundo a pesquisadora, serão necessários mais 11 trimestres para voltarmos ao ponto inicial da crise. Ou seja: a lambança golpista capitaneada pela dupla Temer-Meirelles só começará a ser superada em 2020. 
'Mesmo em recessões longas, como a de 1989, o ritmo de crescimento depois foi mais forte. Levar mais três anos para voltar a 2014 será inédito na História brasileira. A previsão é com base no crescimento médio desde o fim da recessão, em torno de 0,5% por trimestre', comenta Matos, em reportagem de Cássia Almeida, no jornal O Globo.
"A economista alerta que tantos anos de recessão e baixo crescimento vão tornando o país menos capaz de produzir expansão econômica, com a mão de obra mais despreparada pelo tempo fora do mercado, e sem investimento, o que também diminuiu nossa capacidade de produção. Pelas contas da economista, o PIB potencial, o teto da nossa expansão sem gerar inflação, é de 1,5%. Já foi de 4%. Silvio Campos Neto, da Tendências, chegou a resultado semelhante. Calcula que voltaremos ao nível de 2014 no terceiro trimestre de 2020, um trimestre antes do que prevê Silvia. Ele espera uma expansão média de 0,6%. São 26 trimestres entre recessão e recuperação:
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O tempo de recuperação pode ser ainda maior do que os quatro anos, se a confiança de empresários e consumidores continuar baixa como mostraram as últimas sondagens. Em maio, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) constatou que o índice de confiança havia caído 5,9% por causa da greve dos caminhoneiros. Em junho, com o impacto do movimento já reduzido, subiu 0,6%, nem de longe recuperando as perdas do mês anterior. 'Não houve aprofundamento do processo. Mas o número parece trazer uma nova dimensão de incerteza relacionada ao resultado das eleições. Não temos ainda um sinal de quais candidatos irão para o segundo turno. E não há clareza nas propostas dos candidatos sobre a questão fiscal e a reforma da Previdência. Temos déficts elevados desde 2014, essa sequência tem que ser interrompida', afirma Flávio Castelo Branco, gerente-executivo de Política Econômica da CNI."

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