Real Cores

França espetacular; o melhor e o pior de uma Copa sensacional


Uma final eletrizante. A Croácia jogou melhor boa parte do jogo, mais articulada e perigosa, com lances emocionantes. Mas a França foi incisiva e categórica.
A goleada é incontestável. 4 a 2. O bom goleiro francês Lloris entregou de graça o segundo gol à Croácia, numa jogada bisonha. E Pogba, depois de fazer o terceiro, gol que resolvera o jogo numa cena belíssima, chutando primeiro com a direita e depois com a esquerda, perdeu incrivelmente o quinto, furando uma bola na frente do goleiro.
Griezman, Pogba e Mbappé foram os nomes do jogo. O três fizeram os gols (Mandzukic fez contra), mas o desemprenho do trio foi essencial. Griezman sai da Copa como o maior nome, por sua importância na arrancada francesa para o título. Modric foi escolhido como o craque (oficial) da Copa e faz uma boa dupla com Griezman. 
Uma Copa memorável. Não houve nenhuma novidade estrondosa do ponto de vista tático, nenhum time que tenha saído consagrado como espetacular, como foi com o Brasil de 1970 e 1982, a Holanda de 1974 ou a Espanha de 2010. Mas foi um torneio de jogos emocionantes, gols nos últimos minutos de prorrogação, uma maravilha.
A Bélgica foi uma beleza de ver, com lampejos do Brasil de 1982, contra-ataques dignos de serem escolhidos como alguns dos mais belos das Copas. 
As grandes decepções foram, em ordem alfabética, Alemanha, Argentina, Brasil e Espanha. Mas a Alemanha já vinha caindo pelas tabelas há tempos; a Argentina chegou à Copa quase por milagre e foi uma usina de crises ao longo do torneio; e a Espanha é uma sombra do time de 2010. A rigor, só dá para falar de decepção mesmo com a seleção brasileira, que chegou como favoritíssima ao título, diferentemente das outras três.
Quanto aos jogadores, além dos já mencionados acima, vale destacar: 1) a dupla uruguaia Cavani-Suárez, de um time muito bom, que teve uma performance antológica na vitoria de 2 a 1 contra Portugal; e 2) a dupla belga Hazard e De Bruyne arrasadores, foram muito bem. O primeiro é objeto de desejo do Real Madri, é um craque; 3) Mbappé pode vir a ser um dos melhores do mundo anos; sua performance na Copa aos 19 anos lembra a de Pelé aos 17 na Suécia e seu estilo lembra o melhor de Ronaldo Fenômeno.
O trio dourado Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar saiu da Copa sem deixar saudades. Dos três, Cristiano Ronaldo saiu melhor. Fez os três gols no empate com a Espanha, depois o gol contra o Marrocos, saiu discretamente, mas sem ser um fiasco. Messi afundou na crise argentina. Teve seus lampejos, mas parece destinado a carregar a sina de genial no Barcelona e irregular (em geral, mal) na seleção.
Neymar saiu da Copa pela porta dos fundos, como objeto de chacota. Jogou mal e tornou-se símbolo de um jogador desleal e capaz de cenas inconcebíveis, que afrontam o espírito esportivo. Volta para o PSG com prestígio em baixa enquanto Cavani e Mbappé voltam consagrados. Em 2014, Suárez saiu da Copa repudiado, devido à mordida no zagueiro italiano Chiellini. Conseguiu recuperar-se. O desafio de Neymar é semelhante. 
Se a seleção croata saiu pela porta da frente com um brilhante segundo lugar na Copa, o comportamento de um grupo de jogadores do time passa à história como uma página triste, uma afronta a todos os povos que lutaram contra o terror nazista. Seis deles fizeram manifestações de caráter neonazista nos vestiários depois da vitória de sua seleção contra a Argentina por 3 a 0 e as espalharam pelas redes sociais com a cumplicidade dos dirigentes de futebol de seu país e de parte da comissão técnica e sem qualquer crítica do governo do país (uma aliança da direita com a extrema-direita).
O VAR (sistema de árbitro assistente ao juiz da partida que faz a checagem dos lances duvidosos) foi uma das grandes estrelas da Copa. Sempre haverá reclamação, teses sobre conspirações, teorias para todo gosto. Mas o fato é que o VAR diminuiu de maneira quase completa os erros decisivos nos jogos e aumentou a credibilidade dos resultados. Em vez de diminuir a emoção, aumentou ainda mais. Deu certo.
Uma Copa sensacional.

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