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Vítima de Moro agoniza: Empreiteira Andrade Gutierrez que já foi a segunda maior do Brasil, beira a falência


Dois meses após deixar de pagar uma dívida de US$ 345 milhões (R$ 1,35 bilhão), a empreiteira Andrade Gutierrez ainda não conseguiu fechar acordo para levantar dinheiro novo no mercado e honrar o compromisso. Envolvida na Operação Lava Jato e com R$ 508 milhões em bens bloqueados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a construtora – que já foi a segunda maior do País – conta com a boa vontade dos credores para não ter outros pagamentos de dívidas antecipados.
A empreiteira de Minas Gerais, cujos donos são antigos aliados de Aécio Neves, foi a principal construtora da Cidade Administrativa, sede do governo mineiro, obra do governo do neto de Tancredo Neves e sobre qual pesam acusações de ter sido uma das maiores máquinas de propina da história política brasileira. Os aliados de Aécio podem estar perto de quebrar por conta da iniciativa do candidato derrotado em 2014, que lançou o país na aventura do golpe contra a democracia e da Operação Lava Jato, que levou a empresa e dezenas de outras às cordas.
Segundo o repórter Renée Pereira, a situação é dramática.  As conversas com a gestora de investimentos Pimco para a obtenção de um empréstimo para aliviar a situação da empresa estão travadas por causa de garantias. 
A ideia inicial era fazer uma nova emissão de títulos de US$ 540 milhões (R$ 2,1 bilhões) para rolar a dívida vencida e dar fôlego novo à empreiteira. Em maio, o conselho de administração da Andrade aprovou a emissão dos títulos no mercado internacional e deu garantia pessoal dos acionistas e garantias reais da companhia para tornar a operação viável. 
Mas, com a queda no preço das ações da CCR, principal ativo da Andrade usado como garantia para o novo empréstimo, o fundo passou a exigir mais da construtora, que não tem tanta margem para melhorar as condições. 
Diante disso, a alternativa buscada pela Pimco é elevar a adesão dos credores para uma nova emissão, de forma a reduzir os riscos. Isso significa definir novo prazo e preço para os papéis, além de uma amortização mínima (mais ou menos 10%) dos títulos, em condições razoáveis para os credores. 
Essa negociação, no entanto, também não tem sido fácil, já que envolve um número grande de investidores, afirmam fontes ligadas ao assunto. Procuradas, Pimco não respondeu e Andrade disse que não comentaria. 
Na semana passada, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou o rating da construtora para C – a pior nota da escala. O rating reflete a situação da companhia, que não tem recurso em caixa suficiente para cobrir a dívida. Até setembro, último dado disponível, a empreiteira tinha R$ 665 milhões em caixa. A Moody’s calcula que, pelo menos, parte desse montante tenha sido consumido “devido ao fluxo de caixa negativo da empresa da ordem de R$ 250 milhões por trimestre”. 
A situação só não é pior porque a empreiteira está liquidando seus ativos -conseguiu arrecadar R$ 750 milhões com isso. E fechou R$ 4,4 bilhões em novos contratos, mas com prazos de recebimento que se estendem por anos. Apesar dos novos contratos de valor aparentemente elevado, a carteira de obras caiu para R$ 18,3 bilhões em setembro de 2017, segundo a Moody’s. Em 2014, quando as construtoras foram envolvidas na Lava Jato, a empresa tinha portfólio de R$ 30 bilhões.
Um dos últimos negócios foi a venda de 12,69% na Cemig – o que pode ter gerado quase R$ 600 milhões para a empresa. Antes disso, a companhia já havia se desfeito de participações na Oi e na Sanepar, empresa de saneamento do Paraná. Ainda estão à venda fatia no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, e uma participação indireta na Hidrelétrica Santo Antônio, no Rio Madeira – em negociação com grupos chineses.
A situação está perto de ser desesperadora.
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