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A verdadeira história da venda do sítio de Atibaia

Reportagem publicada no site Diário do Centro do Mundo mostra como a venda do sítio de Atibaia não envolve Lula, foi um negocio transparente e muito diferente do que sugere o powerpoint do MPF


O antigo proprietário proprietário do sítio de Atibaia que a Lava Jato atribui ao ex-presidente Lula contou ao site Diário do Centro do Mundo como vendeu a propriedade, em 2010, para Fernando Bittar e Jonas Suassuna. “Eu fui almoçar no Clube da Montanha com o Vanderlei (Vanderlei Steves Mansanares, corretor de imóveis) e ele me disse que havia duas pessoas querendo ver o sítio. Eu disse que tudo bem, eles podiam visitar. Imaginava que quisessem ver o que havia lá, para fazer igual em outra propriedade”, afirmou Adalton Emílio Santarelli.

“Um corretor disse que havia dois interessados, achei a proposta boa e vendi. Nunca vi o Lula e não sei se ele estava no negócio”, adiciona Santarelli. O boato de que Lula seria o dono começou depois que a ex-primeira-dama Marisa Letícia foi vista algumas vezes na padaria, com seguranças, para comprar pão, mortadela Ceratti e tomar café em copo descartável. Marisa permanecia no carro, mas, quando o segurança voltava, a ex primeira-dama descia para tomar café e fumar. Foi vista, e assim começaram os comentários de que Lula tinha um sítio ali perto. Para alimentar o boato, o jornal O Estado de S. Paulo publicou reportagem afirmando que o sinal da compra do sítio foi feito em dinheiro vivo.

“Não, de jeito nenhum”, conta Santarelli, dono de um comércio na rua Direita, fundado em 1979, a Santarelli, especializada em joalheria e relógios. “Recebi em cheques administrativos, foi tudo cheque, e eu entreguei cópia do microfilme para a Polícia Federal, está tudo esclarecido”, destaca. Publicada em fevereiro de 2016, um mês antes da condução coercitiva de Lula, partiu de uma leitura equivocada de uma cláusula da escritura de compra e venda.

Santarelli  declara que já tinha recebido como sinal 100 mil reais, em “boa e corrente moeda nacional”. A expressão é um jargão em documentos desse tipo, para confirmar que o sinal já tinha sido quitado, através da compensação de cheque. Outro “indício” usado pelo Estadão é o fato do contrato ter sido feito no escritório do advogado Roberto Teixeira. No entanto, o ramo de Teixeira é justamente o imobiliário.

O antigo proprietário conta que não queria vender o sítio quando  procurado, embora já não frequentasse a propriedade tanto quanto antes. Os filhos haviam crescido e já não passavam todos os fins de semana com ele. No sítio, era comum ir apenas com a mulher, Neusa. Por frequentar o sítio menos do que gostaria, não resistiu à oferta, de R$ 1,5 milhão. A perícia apontou uma diferença de R$ 75 mil entre o preço de compra e o preço avaliado por ela. A diferença, de 5%, algo insignificante em negócio dessa monta, também foi tratada como suspeita.

O site de extrema-direita O Antagonista tratou como suspeita a compra que Adalton e a mulher fizeram de um apartamento no condomínio em que o doleiro Alberto Youssef mora, na Vila Nova Conceição. Santarelli ri ao comentar a nota do site. “Tenho este apartamento faz tempo, e só soube que esse Youssef tinha um apartamento lá depois que vieram me contar que tinha saído uma coisa dessas na internet”. Santarelli prestou depoimento à PF uma única vez e nunca mais foi convocado a depor. Mas sua história não serve, pois não alimenta powerpoints nem convicções do MPF.

A confusão também ajuda a alimentar a farsa de que Lula e o PT conduziram o maior esquema de corrupção da história. Se assim fosse, Lula seria um corrupto mequetrefe: o chefe da organização criminosa teve como quinhão do butim o direito de frequentar um sítio nos fins de semanas e feriados, em que a mulher podia aproveitar para ir à padaria e comprar pão com mortadela Ceratti, além de tomar café em copo descartável, na calçada…

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