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Bandidos que roubavam cargas, usavam mulheres para atraírem caminheiros, diz polícia



As polícias Civil e Rodoviária Federal divulgaram nesta quinta-feira (30) que algumas “mulheres bonitas” eram usadas por grupo suspeito de roubo de cargas e veículos para atrair os caminhoneiros, alvos da organização criminosa. Além disso, ficou constatado a participação de ao menos nove empresas nos crimes. Elas compravam os caminhões adulterados e revendiam como se fossem legais.
Ao todo, foram expedidos 35 mandatos de prisão e 62 de busca e apreensão na Operação Zayn. Em Goiás, foram 24 prisões e 32 ordens de busca nas cidades de Itumbiara, Nerópolis, Anápolis e Padre Bernardo. Também ocorreram diligências nos estados do Pará, Mato Grosso, Rondônia e São Paulo. Dois alvos seguem foragidos. Entre eles, estão ladrões, adulteradores de veículos e empresários. A polícia também apreendeu 60 caminhões e dezenas de carros.
De acordo com o delegado Alexandre Bruno Barros, responsável pelo caso, as investigações começaram há um ano e meio, devido ao alto índice de roubos deste tipo na região norte de Goiás. A corporação descobriu que uma organização especializada atuava lá e, desde então, prendeu 22 pessoas, além das detenções desta manhã. Ele explicou que as vítimas eram atraídas por mulheres à beira da pista.
"A organização criminosa agia primeiramente utilizando uma isca, que é uma mulher bonita, que ficava na rodovia. Ela pedia carona e os caminhoneiros paravam. Momentos depois, os ladrões abordavam o condutor e restringiam a liberdade. A vítima era levada para o cativeiro e tanto a carga quanto o caminhão eram subtraídos", explica.
Os caminhoneiros eram mantidos reféns por cerca de 10h, prazo para que o grupo descarregasse a carga e repassasse aos receptadores. Em seguida, os veículos eram encaminhamos para dois galpões, em Itumbiara, na região sul de Goiás, e Rio Verde, no sudoeste, onde eram adulterados.
Ainda conforme o delegado, a polícia teve dificuldade em chegar ao grupo, pois os motoristas quase sempre omitiam ter dado carona às mulheres com receio de perderem o emprego.

Empresas

Os adulteradores vinham de São Paulo especialmente para fazer o serviço. A numeração do chassi era alterada e validada como legal por despachantes, que também atuavam junto com o grupo. Em seguida, ele era repassado para nove empresas, a maioria do setor de transportes, que também integravam o esquema.
"Essas empresas não só compravam os caminhões, como utilizavam em seus setores de transporte ou então os revendiam por um valor bem acima daquele que havia sido pago. Os lucros eram lavados em outras atividades", detalha o delegado.
A polícia estima que no período da investigação ocorreram em Goiás cerca de 80 roubos de caminhões carregados, dos quais mais de 60 foram recuperados. Também foi encontrada com o grupo drogas, armas, documentos falsos, R$ 70 mil em espécie e R$ 500 mil em cheques.
Os presos serão indiciados por associação criminosa, roubo, furto qualificado, adulteração de sinal identificador de veículo, receptação e falsificação de documento. Se condenados, podem pegar uma pena de mais de 30 anos.

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