Real Cores

Debate sem Lula apequena Band


A Band, que já é pequena – só suas dívidas não o são - vai sair menor do debate presidencial dessa noite. O debate será esvaziado sem a presença do líder nas pesquisas ou de seu representante. Além da perda de qualidade e de audiência, a Band será acusada, com toda razão, de excluir sem motivo um dos candidatos que a lei eleitoral obriga a convidar, pois o PT possui muito mais de cinco parlamentares, entre deputados e senadores, que é a regra de corte. Lula não pode ir, está claro, mas Haddad, seu vice, pode.

A Band dá um tiro no pé. Afogada em números, desiste da audiência. E da sua função de bem informar. Em vez de aumentar o interesse em torno do programa, diminui. É como organizar um campeonato e não convidar o Corinthians. A emissora vai entrar, ao lado de Sérgio Moro, dos desembargadores do TRF-4, dos ministros do STF e da Globo, Jovem Pan e Veja, no rol dos meios de comunicação e das autoridades que perseguem Lula e o PT. Ela que sempre foi a casa dos debates, desde a redemocratização, em 1989, opta, tal como Stalin, pela eliminação da oposição. O que não é nem um pouco democrático. Nem jornalístico.

A rejeição a Lula ou a Haddad - a quem a Band já perseguia quando foi prefeito de São Paulo - vai afetar a credibilidade do grupo. A Band frustra o um terço do eleitorado que pretende votar em Lula. Impede que sua mensagem – ou de seu vice – chegue até eles. Também impede que os demais eleitores sejam informados corretamente. De que há mais um candidato. E é o favorito. O debate incompleto desinforma e deturpa, corrompe o processo eleitoral. A Band, que já se gabou de seus telejornais ficará conhecida como túmulo do Jornalismo.

A decisão é uma guinada direitista da emissora. Os dois expoentes da vertente se abrigam na rádio Band News. Um pela manhã, outro no fim da tarde encarregam-se de bater em Lula e no PT em qualquer circunstância que se apresenta.

Os demais candidatos são cúmplices silenciosos dessa manobra. Parecem ter ficado satisfeitos com a ausência do principal concorrente, sem atentarem para o desrespeito ao eleitor e às regras do jogo. Mostram, assim, que importante para eles é ganhar, nem que seja no tapetão.

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