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Safatle sobre Paracaima: nada parece nos unir como brasileiros


O filósofo Vladimir Safatle aborda o tema dos refugiados venezuelanos hostilizados no extremo norte do país e alerta para o mergulho no desconhecido que um certo Brasil vai escolhendo como destino. Ele diz: "a imagem aterradora de uma turba queimando pertences de refugiados, suas tendas, e expulsando-os enquanto entoavam o hino nacional com o orgulho dos criminosos que se julgam moralistas, dos bandidos que têm olhos duros contra o crime, não é um incidente isolado".
Publicado no jornal Folha de S. Paulo, o artigo de Safatle faz uma retrospectiva do imaginário que permeia a identidade do brasileiro: "há de se retornar mais uma vez a Pacaraima, pois é nessa cidade no extremo norte do país que se define atualmente o Brasil. Pode parecer que essa é apenas uma frase de efeito para dramatizar um pouco textos jornalísticos do final de semana. Mas a verdade é que a vila de pouco mais de 12 mil habitantes é o ponto privilegiado de contato do Brasil com as dinâmicas de reconfiguração da política mundial e da função do que podemos entender por Estado-nação."
Ele acrescenta que a cena produzida em Roraima é das mais grotescas: "a imagem aterradora de uma turba queimando pertences de refugiados, suas tendas, e expulsando-os enquanto entoavam o hino nacional com o orgulho dos criminosos que se julgam moralistas, dos bandidos que têm olhos duros contra o crime, não é um incidente isolado. Esse é um caso premeditado."

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