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Em um dia, escândalo já chega a Jair Bolsonaro e envolve ex-assessora


Bastou um único dia e o rastro do dinheiro já chegou diretamente a Jair Bolsonaro, mudando a qualidade da crise aberta com a descoberta, nesta quinta (6). Ontem, soube-se que ao menos R$ 1,2 milhão havia trafegado em um ano pela conta do PM Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, com direito a um cheque de R$ 24 mil para a futura primeira-dama, Michelle (leia aqui). A movimentação refere-se unicamente a 2016. Pois veio à luz nesta sexta um fato gravíssimo do relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf): o documento cita movimentações entre contas dele e de sua filha, Nathalia Melo de Queiroz. Ela é nada menos que ex-assessora do próprio Jair Bolsonaro. Há menção no relatório a um valor de R$ 84 mil em uma conta de Nathalia.

A filha foi foi nomeada em dezembro de 2016 para trabalhar como secretária parlamentar no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara. A relação do pai é bem mais antiga. Ele foi funcionário de Flávio Bolsonaro por 11 anos, desde 2007. Estranhamente, no dia 15 de outubro deste ano, ambos foram exonerados, conforme noticiou o jornalista Fausto Macedo.

A relação dos Queiroz com os Bolsonaro é ainda mais antiga e em tudo lembra a relação de grande intimidade entre outros "caixas" de políticos, especialmente a relação de Paulo César Farias (PC Farias) com Fernando Collor e de João Baptista Lima Filho (coronel Lima) com Michel Temer. Relações de longa duração e prestação de serviços, com PC, coronel Lima e o PM Queiroz com verdadeiros "faz tudo".

A história da relação Bolsonaro-Queiroz é ainda mais longa que o simples vínculo empregatício do PM na Assembleia Legislativa do Rio.

Há 15 anos, em outubro de 2003, Flávio apresentou na Assembleia moção de louvor e congratulações a Queiroz -portanto, já havia uma relação de apreço e intimidade na ocasião. Três anos depois, outro dos agora primeiros-filhos, Carlos, foi ainda mais longe: ele fez a Câmara de Vereadores aprovar um requerimento seu para que Queiroz recebesse a medalha de mérito Pedro Ernesto, principal honraria concedida pela cidade do Rio (aqui).

É relação antiga, de confiança, de prestação de serviços. Até ontem, o escândalo havia se insinuado à porta do gabinete do presidente eleito. Agora, com a filha de Queiroz, a crise está instalada dentro do gabinete -e da casa do casal Jair-Michelle.

Como se comportarão as autoridades? Que investigações serão feitas? Como se comportará Sérgio Moro que terá o Coaf e a PF sob seu comando a partir de janeiro e estará cercado por integrantes do Ministério Público?

O fato é que o rastro do dinheiro está aí, à vista de todos. E cheira mal. 


Por Mauro Lopes, para o Jornalistas pela Democracia 

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