Real Cores

Artigo: Caiado, quando começará a governar?



Em maio de 2018 um artigo escrevi  expressando  minhas dúvidas sobre como  Ronaldo Caiado e Bolsonaro iriam sair do legislativo para serem  gestores.  Com o titulo “Uma incógnita,” falei que há muito tempo os candidatos ao Governo de Goiás e a Presidência da republica tinham   alguma  experiência no cargo máximo do executivo. Caiado, não.

Assim, minha dúvida se fez realidade sobre a capacidade, principalmente de  Ronaldo Caiado, de deixar a “tribuna”  no senado e começar  a governar, a partir de primeiro de janeiro.  Até agora Caiado tem se mostrado mais Senador que Governador. Denúncias, após denúncias estão em todos os atos do novo governador.


É natural que haja um discurso de terra arrasada, mas ele não  deve ser usado para resolver questões.  O eleitor disse “sim” ao novo governador, ainda no primeiro turno, acreditando em mudanças que foram amplamente divulgadas durante a campanha eleitoral. Principalmente nas áreas de segurança,  o carro chefe do discurso.

A valorização do servidor público, também  na campanha,  fez parte de uma nova forma de se valorizar os trabalhadores.

Já estamos quase no final do primeiro mês de governo e ainda prospera discursos de que o Estado de Goiás está falido. Uma das únicas ações foi na contra mão das promessas. Ao rever a questão dos incentivos fiscais, que segundo o governador,  daria um fôlego de um bilhão de reais, acabou espantando algumas empresas que até projetos já tinham para se instalarem aqui.

A exemplo da grande maioria do eleitorado de Goiás, eu também torcia por mudanças. E tão igualmente esperava “uma nova forma de se cuidar do nosso estado.” Na realidade estamos sendo governados por um senador, que continua com discursos e bravatas.

A insistência em dizer que herdou um rombo bilionário e apenas 11 milhões em caixa tinha, não é mais aceito, isto posto que apenas a arrecadação diária de ICMS,  passa  da casa dos 20 milhões de reais. Servidores da saúde descobriram 60 milhões em uma das contas do governo.   Outra mostra de que Goiás não é insolvente, se deu pela recusa da ajuda do Governo Federal ao Estado, que mostrou  não estarmos  no fundo do poço. O relatório mostrou que é preciso de  gestão, de  governar.

Leiloar  os dois carros de luxo que serviam aos ex-governadores foi, na verdade, mais uma ação de marketing do que propriamente um reforço na verba destinada ao Hospital Materno Infantil.    

Afirmar que a AGETOP era um antro da corrupção, sem mostrar documentos que comprovassem,  também foi outra denúncia, das varias que caíram por terra.  

O que se faz   urgente é pagar a folha do mês de dezembro aos funcionários efetivos e aos comissionados que  tem o direito garantido em lei. A incerteza sobre quando isto será resolvido atingiu diretamente o controle de pagamentos dos quase duzentos mil  servidores. A já  ultrapassada,  mas  hilariante e humilhante sugestão  de pedir aos comerciantes que  vendessem   “fiado” para os servidores públicos,  muito mais  pareceu que Ronaldo Caiado se deixou levar pelo municipalismo ruralista radical. Uma gafe até hoje lembrada.

Se faz urgente tranquilizar os servidores públicos, que ameaçam entrar em  greve, pelo merecido pagamento do mês de dezembro de 2018. A declaração da Secretária da Fazenda, de que o mês de dezembro “poderá”  ser pago a partir de março e em parcelas, fomenta os movimentos que representam o funcionalismo à cruzarem os braços.  Serviço público parado é prejuízo para o cidadão; e da forma como está sendo mostrada a recusa em fazer a quitação,  coloca o cidadão a favor das paralisações e contrários à Ronaldo Caiado.

Sobre as denúncias e a  criação de uma secretaria para investigar casos de corrupção, não é tão urgente, isto posto pelas ações propostas pelo  Ministério Público, que  se mostra  presente e atuante.

Por tudo isto,  o apoio que o Governador teve nas eleições, já se transforma  em  desaprovação,  que a cada dia cresce. Imagino então o quão difícil será o  alinhamento com o parlamento,  que volta ao trabalho em fevereiro.  “A mão de ferro de Caiado”,  a persistir,  encontrará dificuldades para Governar.

Mais uma vez,  pelo que parece, o eleitor foi  enganado.  Durante a campanha Caiado era Paz e Amor. Depois de eleito, até agora, quem Governa Goiás é o senador oposicionista a tudo, raivoso e vingativo.  

André Marques é Diretor Geral do Sistema Argumento

   


Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.